sábado, 15 de dezembro de 2012

PRESIDENTE DO JOCKEY CLUB DE PERNAMBUCO PRESTA CONTA DA SUA GESTÃO, E FALA DA POLEMICA VENDA DO JOCKEY.


Dr. Luiz Roberto:
Poderia ter feito mais.
Descendente de uma das mais tradicionais famílias do turfe pernambucano, o atual presidente do Jockey Club de Pernambuco, Dr. Luiz Roberto Medeiros que encerra o seu mandato no dia 31 de dezembro, concedeu entrevista ao site Raia Leve, e falou sobre a sua gestão, o atual momento do turfe pernambucano, da realização de mais um Grande Prêmio Bento Magalhães, e da polemica negociação sobre a venda do terreno do Jockey que nos últimos dias vem tirando o sono dos turfistas que são contra a saída do clube do Recife para outra cidade.
Dr. Luiz Roberto Medeiros, é médico veterinários, com larga experiência na área de reprodução animal, assumiu os destinos do Jockey Club de Pernambuco no biênio 2011/2012 em um momento onde o jockey enfrentava sérios problemas sendo um deles uma interdição por parte do ministério da agricultura.
No final do seu mandato, o presidente diz esta muito satisfeito e comemorou bastante o sucesso no cumprimento do calendário clássico e  principalmente com o sucesso do 44º Grande Prêmio Bento Magalhães. O presidente também aproveitou o espaço para agradecer a todos os que colaboraram com o turfe pernambucano na sua gestão e aos turfistas cearenses que mais uma vez enalteceram as festas pernambucanas com animais de altíssimo nível.

Entrevista.

RL – Qual o balanço que o Sr. Faz de sua gestão?
LR. – Chego ao final do meu mandato, com uma sensação de que poderia ter feito mais. Estou muito satisfeito e até realizado, mas com certeza faltaram algumas coisas. Melhorar a receita fixa da entidade, modernizar equipamentos, trocar o trator que tinha mais de 20 anos de serviços no clube, re-urbanizar e trocar a fachada principal da entrada, substituir o sistema de climatização da tribuna de honra, colocação de grades de ferro no padoque, melhorando a visualização e o contato publico-cavalo, criação do mais democrático sistema de integração entre a CC e os Proprietários, através do Colegiado, disciplinamento de transito de veículos na Vila Hipica, etc., redução das retiradas das comissões dos arremates, extinção de lance obrigatório em páreos com sete ou mais animais, rigorosa saúde financeira, com todos os compromissos pagos aos proprietários, profissionais, fornecedores, funcionários e impostos, são metas e realizações alcançadas.
Entretanto, apesar do esforço desprendido, faltou à iluminação (que um dia virá e trará muita “luz” para o nosso querido Hipódromo) alem de um novo fotochart, reforma da cerca e isolamento da área invadida na vizinhança da Vila Hipica.

RLComo o Sr. Encontrou o jockey e como esta deixando em relação ao caixa ?
LR – Recebi das mãos de meu antecessor Paulo Pereira, uma entidade financeiramente enxuta e com saldo de caixa para sua manutenção. Passo ao meu sucessor Paulo Paiva, nas mesmas condições, havendo melhorado o resultado receita fixa versus despesa fixa.

RL – Ser presidente do Jockey é uma tarefa difícil e o seu pai o saudoso Dr. Manuel Medeiros nunca quis ser mesmo tendo o seu nome muitas vezes cogitado para presidir o jockey. Porque o Sr. Quis ser presidente do Jockey ?

LR- Tudo que sou e tenho, devo ao meu querido Pai. Não represento para o Jockey nem para ninguém quase nada comparado a ele. É verdade que ele nunca pensou em ser Presidente, por mais que amasse o JCPE. Dizia que o “Prado era para fazer amizades. Ser Presidente significava fazer inimizades”. Mas, previ que os tempos haviam mudado. O JCPE hoje é administrável. Herdei dele o amor pela nossa Madalena. Fora a família e o meu trabalho é a coisa que mais gosto na vida e ali tenho vivido emoções e alegrias indescritíveis. Achei que isto merecia um reconhecimento e um “pagamento”. O “pagamento” foi aceitar ser Presidente do Clube. Toda minha família me apoiou e estou feliz. Junior dividiu todo o trabalho comigo. Não fiz nenhuma inimizade.

RL – O Sr. Não queria concorrer a reeleição, mas depois lançou o seu nome, mas agora vai apóia o nome de Paulo Paiva. Qual o motivo da desistência?
LR- Não considero que houve desistência de minha parte. Meu candidato era o Carlinhos Baltar, que por motivos particulares desistiu em Novembro. Naquele momento criou-se certa turbulência no Clube e afirmei que seria candidato caso surgi-se uma candidatura que eu considerasse nociva ao clube. Surgiu então a candidatura de Paulo Paiva e imediatamente passei a apoiá-lo. Vejo com Paulo uma excelente oportunidade de nosso turfe continuar crescendo. Mais do que comigo. Paulo é um homem de bem, gosta do JCPE e é bom administrador.

RLDurante esses dois anos a frente do jockey, o Sr. Ganhou  ou perdeu  amigos ?
LR- Graças a Deus ganhei amigos. Já tinha muitos. Sou agradecido a todos. Não vou falar dos que já tinha, mas não posso deixar de citar os que ganhei. Passei a conviver, aprender e admirar Fabio Camara, um lutador competente do prado pernambucano; Paulo Alves, presidente da Comissão de Corridas durante os 2 anos de mandato. Unanimidade. Leo Moreira, Carlinhos Baltar, Romero Pontual, me deram apoio total. Em nenhum momento que pedi ajuda e socorro a eles, fui desapontado. Torno a dizer que não vou citar todos, pois os demais já eram meus amigos, antes.

RL- O Sr. Teve mais decepção ou alegrias ?
LR- Muito mais alegrias. A cada passo, fomos quebrando recordes. Fizemos em 2011 os  Edisio e Bento com o maior MGA da historia. Em 2012 suplantamos os números do ano passado em mais de 25%.
As decepções são pequenas e ficam por conta de uma meia dúzia de inconformados que preferem denegrir a imagem de quem está trabalhando, fofocando nas esquinas da Vila Hipica. Fazem questão de terem seus nomes no Conselho Deliberativo, até da Diretoria. Mas não colaboram em nada. Não vão sequer numa Reunião. Só criticam. Tenho pena deles.

RLUm assunto que mexeu com os bastidores do turfe pernambucano nas vésperas do grande prêmio Edsio Pereira foi à venda do jockey para um grupo de empresas. O senhor tinha conhecimento e participou das negociações?
LR- De forma nenhuma tinha conhecimento nem participei de nenhum tipo de negociação. No dia do GP Marco Cortez, fui chamado pelo Silvio Botelho para uma reunião no Escritório de Advocacia de Fred Guimarães no dia seguinte. Ali, juntamente com Carlinhos Baltar (naquele momento futuro Presidente do JCPE), fui apresentado pelo próprio Silvinho de um projeto de um Novo Jockey, com fotos, folders, etc. Na conversa com Fred Guimarães me foi explicado que esta tentativa de negociação (uma permuta de nossa área por um Novo Hipódromo em área mais afastada) já vem sendo tratada há anos e um grupo empresarialmente muito forte estava interessado.
Fui a uma segunda reunião, com os representantes desse Grupo na companhia de Carlinhos, Silvinho e Junior e ouvi a ratificação do que havia sido dito na semana anterior.
Desde o primeiro momento (dia seguinte do GP Marco Cortez) comuniquei o fato ao Presidente e Vice do Conselho e aos Diretores que me acompanham no dia-a-dia.

RL – O Sr. É contra ou a favor da venda do terreno do jockey?
LR- Na qualidade de Presidente tenho que ouvir todas as propostas. Considero salutar negociar com um Grupo de Empresários da estirpe dos que estão interessados na negociação.
Pessoalmente, prefiro manter nosso pradinho onde está.

RL- O que o Sr. Acha da inauguração do novo Jockey Club do Ceará, em um momento que o turfe não vai bem em todo o Brasil?
LR – Um marco histórico, compatível com a raça dos turfistas cearenses. Tem todo meu apoio

RL- O que o Sr. Gostaria de dizer para os turfistas que lhe apoiaram e para os que não lhe apoiaram durante esses dois anos?
LR- Que trabalhei com amor ao JCPE e sem nenhuma vantagem pessoal. Aos que não gostaram, desejo e espero que façam alguma coisa pelo turfe pernambucano.

RL- O que o Sr. Não fez,mas gostaria que o próximo presidente fizesse pelo jockey.
LR – luz, cerca e isolamento da Vila Hipica (destrinchem ai)